A picape elétrica BYD Shark virou alvo de um experimento de cibersegurança que expôs a fragilidade dos chamados carros conectados. O especialista Dan Hreszczuk, fundador da Fortify Labs, conseguiu assumir à distância diversas funções do veículo durante um teste realizado na Austrália — sem precisar quebrar criptografia complexa.
Sumário
Como a invasão aconteceu
Para iniciar o acesso, bastou encontrar uma porta de software sem senha. Durante o teste, feito em uma estrada perto de Camberra, o pesquisador desligou os faróis da picape de 2.600 kg enquanto ela rodava a cerca de 30 km/h à noite. Também acionou os limpadores na velocidade máxima, travou as portas, alterou imagens da central multimídia e reproduziu áudios para distrair o motorista.
Além dos comandos físicos, Hreszczuk acessou o microfone interno do veículo e passou a rastrear a localização em tempo real. Ele chegou a gravar o comando de voz usado para ativar o assistente do celular do motorista e o reproduziu nos alto-falantes, induzindo o smartphone a revelar dados como endereço e data de nascimento.
O que ficou mais exposto
Funções vitais como freios e câmeras contam com proteção mais robusta e não foram comprometidas. No entanto, a facilidade para manipular iluminação e sistemas multimídia preocupa: em alta velocidade, a perda repentina dos faróis poderia provocar acidentes graves.
O caso reforça o debate sobre privacidade e espionagem em veículos modernos, que funcionam como verdadeiros “computadores sobre rodas”. No Brasil, onde a BYD Shark também é vendida, ainda não há regulamentação clara sobre padrões mínimos de cibersegurança automotiva.
O que especialistas recomendam
Analistas de segurança alertam há anos que ataques a carros conectados não são ficção científica. Em 2015, hackers invadiram um Chrysler Cherokee e chegaram a controlar acelerador e freios, o que levou a Stellantis a fazer um recall de 1,4 milhão de veículos para instalar correções de segurança.
Montadoras como Mercedes-Benz e Volvo afirmam que já separam os sistemas críticos (freios, direção, acelerador) dos conectados, reduzindo o risco de invasões alcançarem funções vitais. Para especialistas, ataques a carros inteligentes são uma questão de tempo se os fabricantes não reforçarem testes e atualizações constantes de software.










